terça-feira, 18 de maio de 2010

INTERIOR(ES)

As várias correntes artísticas e estéticas que surgiram no início do século XX procuraram oferecer um novo olhar sobre o mundo, rompendo com a herança renascentista das academias de arte. Destas novas formas de arte modernas, a arte abstracta teve um papel decisivo em toda a arte produzida no mundo contemporâneo e influenciou, na minha opinião, o Design de Comunicação Visual. A Arte Abstracta é geralmente entendida como uma forma de arte que não representa objetos próprios da nossa realidade concreta exterior. Ao invés disso, usa as relações formais entre cores, linhas e superfícies para compor a realidade da obra, de uma maneira não representativa. Assim, acaba por substituir a realidade exterior pelas cores, formas, linhas, planos, usando as relações formais entre estes elementos para compor a realidade da obra. O artista interpreta a realidade que o rodeia através das suas reacções afectivas e concepção mundo, privilegiando a emoção que a realidade lhe suscita em detrimento da representação concreta da realidade.
Para fazer essa representação abstracta da realidade o artista inspira-se nos elementos básicos de comunicação visual, como o ponto, a linha, o contorno, a direcção, a tonalidade, a cor, a textura, a dimensão e inclusive, o movimento, expressando-os de forma inovadora e baseando-se no inconsciente e na intuição para construir uma arte imaginária ligada a uma necessidade interior.

Jackson Pollock foi um pintor americano, nascido em 1912, referência no movimento do expressionismo abstracto. Este movimento artístico teve origem nos Estados Unidos da América, tendo sido o primeiro movimento especificamente americano a atingir influência mundial e também o que colocou Nova Iorque no centro do mundo artístico. O movimento ganhou este nome por combinar a intensidade emocional do expressionismo alemão com a estética antifigurativa das Escolas abstratas da Europa, como o Futurismo, o Bauhaus e o Cubismo Sintético. O expressionismo alemão centrava-se na interiorização da criação artística em detrimento da sua exteriorização,projectando na obra de arte uma reflexão individual e subjectiva. Isto é, a obra de arte é o reflexo directo do mundo interior do artista expressionista.
Pollock desenvolveu uma técnica de pintura, criada por Max Ernst, o 'dripping' (gotejamento), na qual respingava a tinta sobre suas imensas telas; os pingos escorriam formando traços harmoniosos e pareciam entrelaçar-se na superfície da tela. O quadro "UM" é um exemplo dessa técnica. Pintava com a tela colocada no chão para sentir-se dentro do quadro. Pollock parte do zero, do pingo de tinta que deixa cair na tela para criar a obra de arte, que é um prolongamento do seu interior. Podemos mesmo dizer que, tal como outros pintores seus contemporâneos, a sua esfera da arte é o inconsciente.










Também o pintor holandês Willem de Kooning fez parte do expressionismo abstracto nova-iorquino, sendo em certa medida compagnon de route de Pollock. Uma das primeiras mensagens deste blogue apresenta uma colecção de obras deste pintor.

Wassily Kandinsky nasceu na Rússia em 1866 e pode-se dizer que foi o grande introdutor da abstracção nas artes visuais. Foi professor da Bauhaus (escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda que funcionou entre 1919 e 1933 na Alemanha)e desenvolveu já na década de 1910 os seus primeiros estudos não-figurativos, o que o leva a ser considerado o primeiro pintor ocidental a produzir uma tela abstracta. A criação de Kandinsky de trabalhos puramente abstractos seguiu um longo período de intenso desenvolvimento e amadurecimento do pensamento teórico baseado nas suas experiências pessoais artísticas. Chamou a esta devoção como beleza interior, fervor de espírito e uma necessidade funda de desejo espiritual, que foi o aspecto principal da sua arte.



Desenvolveu a arte abstrata até o fim de sua vida. Junto a Piet Mondrian e Kasimir Malevich, Wassily Kandinsky faz parte do "trio sagrado" da abstração, sendo o mais famoso.

Elementos básicos e técnicas de comunicação visual 2

Grande parte dos nossos conhecimentos do efeito da percepção humana sobre o significado visual são herdeiros da Psicologia da Gestalt. A gestalt, ou Psicologia da forma, nasceu, no início do século XX por oposição à Psicologia do século XIX, que tinha por objecto os estados de consciência. Köhler, Wertheimer e Kofka, criticam Wundt e a sua tentativa de decompor os processos mentais nos seus elementos mais simples. Os gestaltistas reagem contra esta concepção atomista e associacionista, invertendo o processo explicativo. Enquanto os associacionistas partem das sensações elementares para construir as percepções, os gestaltistas partem das estruturas, das formas, defendendo que nós percepcionamos conjuntos organizados em totalidades. A teoria da gestalt considera a percepção como um todo, e parte deste todo para explicar as partes; enquanto que os associacionistas partiam das partes para explicar o todo.
Segundo Donis Dondis, na base da teoria da forma está a crença que para comprender qualquer sistema é preciso reconhecer esse sistema como um todo "formado por partes interatuantes, que podem ser isoladas e vistas como inteiramente independentes, e depois reunidas no todo". Assim,quando percepcionamos um automóvel, não vemos primeiro o tejadilho, depois as portas e em seguida as rodas, percepcionamos o automóvel como um todo e só depois passamos à análise dos elementos, dos pormenores. O todo é percebido antes das partes que o constituem. A forma corresponde à maneira como as partes estão dispostas no todo.
Entre os princípios da Gestalt destaca-se o conceito de que o todo é mais do que a soma das partes. Isto quer dizer que "A + B" não é simplesmente "(A+B)", mas sim um terceiro elemento "C", que possui características próprias. Uma das melhores formas de analisar qualquer obra visual é "decompô-la em seus elementos constitutivos, para melhor compreendermos o todo", como afirma Donis Dondis. Esses elementos básicos da comunicação visual constituem a matriz daquilo que vemos e são: o ponto, a linha, a forma, a direção, o tom, a cor, a textura, a dimensão, a escala e o movimento. A selecção e combinação destes elementos permite construir a obra visual. De salientar que todos estes elementos estão presentes no nosso quotidiano em tudo o que nos rodeia.
A Teoria da Gestalt, nas suas análises estruturais, descobriu certas leis que regem a percepção humana das formas, facilitando a compreensão das imagens e ideias. Essas leis são nada menos que conclusões sobre o comportamento natural do cérebro, quando age no processo de percepção.
Segundo as leis da Gestalt, os elementos básicos da comunicação visual são agrupados de acordo com as características que possuem entre si, como a semelhança, a proximidade, a continuidade, a complementação, a simplicidade, e mediante a influência de experiências passadas, isto é, se já tivermos visto a forma inteira de um elemento, ao visualizarmos somente uma parte dele reproduziremos esta forma inteira na memória. De todas as leis atrás referidas, a mais importante é, possivelmente a simplicidade que diz que todas as formas tendem a ser percebidas no seu carácter mais simples: uma espada e um escudo podem tornar-se uma recta e um círculo, e um homem pode ser um aglomerado de formas geométricas. É o princípio da simplificação natural da percepção. Quanto mais simples, mais facilmente é assimilada: desta forma, a parte mais facilmente compreendida num desenho é a mais regular, que requer menos simplificação.
Dependendo daquilo que queremos transmitir com uma comunicação visual, temos à nossa disposição todos os elementos básicos, cuja infinidade de combinações permite-nos realizar obras visuais que transmitam a nossa "visão" das coisas e do mundo. Para tal propósito utilizam-se Técnicas de Comunicação Visual que nos ajudam na transmissão da mensagem objectivada e condicionam a interpretação de quem visualiza o conteúdo desejado.
Em virtude das actualizações da proposta de trabalho nº. 1, as técnicas a utilizar também foras revistas, sendo alvo de descrição adetalhada na memória descritiva que irá acompanhar o trabalho final n.1.

terça-feira, 27 de abril de 2010

sábado, 27 de março de 2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

Tipografia

Na sequência da primeira aula em que abordámos a Letra como matéria visual de representação fónica, surge este primeiro post que serve de introdução à temática referida. Com efeito, esta aula pretendeu oferecer as primeiras referência teóricas sobre a Letra como "veículo" visual de transmissão de conceitos, que servirão de base e ponto de partida para a realização da proposta de trabalho 2. Durante a aula, fomos percebendo a evolução da língua humana escrita desde a escrita suméria até aos dias de hoje. Foram também referidas as várias tipografias que estão ao nosso dispôr para realizar o trabalho proposto e as características de algumas delas. Após um estudo mais aprofundado do material de apoio indicado e de alguma pesquisa independente surgirão novos posts.

quinta-feira, 11 de março de 2010

domingo, 7 de março de 2010

Mark Rothko



Um pintor que admiro num vídeo feliz na fusão entre música (Radiohead) e imagem.